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Por: FLAVIA VIRGINIA DA SILVA
15/032019 00:00

Engenharia na tomada de decisão

Estado de Minas - 28/02/2019

Artigo do presidente do Crea-MG, engenheiro civil Lucio Borges, sobre o posicionamento do Conselho em relação à situação da engenharia no país, publicado em 28/02/2019, no Estado de Minas.

A engenharia é sinônimo de desenvolvimento para qualquer nação. Ela é um agente capaz de transformar a sociedade, gerando riquezas com sustentabilidade, produzindo bem-estar e contribuindo para a qualidade de vida das pessoas. Essa ciência atua a favor da vida, não o contrário. Nos últimos anos, a ocorrência de situações trágicas envolvendo a engenharia, mais recentemente o rompimento da barragem em Brumadinho, traz um alerta sobre os rumos da nossa profissão. O conhecimento técnico precisa ocupar os espaços decisórios na sociedade.

A engenharia nacional possui excelência mundialmente reconhecida, mas hoje é relegada a segundo plano, tanto na esfera privada quanto na pública. Se o Brasil cresceu e se desenvolveu, foi graças às profissões da área tecnológica. Todas elas. Foram mãos e mentes que trabalharam e trabalham até hoje desempenhando atividades essenciais para a construção do nosso país e contribuindo tecnicamente para o funcionamento da sociedade.

Em um mundo moderno e digital no qual vivemos, a tecnologia é onipresente e o seu uso é quase que inevitável. A sua presença é percebida em qualquer circunstância do nosso dia a dia. Ao pegar um elevador, no preparo das refeições, ao andar de ônibus, na colheita dos alimentos, no uso do celular, é possível notar a engenharia por trás dessas situações. Ações simples que sem o conhecimento técnico e científico aplicados não seria possível executar. Mesmo sendo imprescindível a diversos setores, a valorização da engenharia e o seu reconhecimento não são compatíveis com a sua importância.

As boas práticas da área precisam ser replicadas à exaustão para voltarmos a trilhar um caminho de destaque. A técnica deve sempre ser considerada na tomada de decisão e não os interesses mercadológicos, que estão mais empenhados na manutenção de um modelo de gestão que prioriza lucros em detrimento de uma gestão  de riscos. Em um esforço conjunto, a sociedade tem de iniciar um processo de consciência da responsabilidade que grandes obras exigem e entender que, para cada etapa, existe um tipo de profissional técnico para atestar o seu funcionamento.

As obras e serviços de engenharia não são infalíveis, estamos sujeitos a erros. Qualquer grande obra que o homem constrói ou modifica precisa de manutenção e deve ter atenção constante, relembrando o também rompimento da barragem em Mariana, o desabamento do viaduto Batalha dos Guararapes, na avenida Pedro I, em Belo Horizonte,  a queda da ciclovia Tim Maia, no Rio de Janeiro, o viaduto na Marginal Pinheiro que cedeu, em São Paulo. Esses acontecimentos levam a uma reflexão de que algo preciso ser feito.

Nessa empreitada, precisamos lançar mão das inovações tecnológicas, dos investimentos em pesquisas, da busca por novas soluções, tudo que ofereça subsídios para estabelecer os melhores parâmetros de segurança. A própria formação proporciona ao profissional habilidades para resolver problemas, conhecer detalhes e processos por trás de uma estrutura complexa, apresentar soluções práticas, pautadas no conhecimento técnico e científico. Será esse profissional o responsável por indicar os devidos investimentos preventivos em segurança, manutenção e um rigoroso acompanhamento técnico.

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) está engajado nessa luta. Temos como objetivo central nesta gestão tratar de assuntos de interesses da área tecnológica, como a criação da carreira de Estado da engenharia, a criminalização do exercício ilegal das profissões de engenharia e agronomia, mudanças nas licitações públicas para obras e serviços, participação do Sistema Confea/Crea na retomada do crescimento da engenharia. Os sindicatos patronais, de trabalhadores, as associações de classe, os conselheiros, as empresas e escolas, todos faremos uma jornada nacional para que a gente avance e para que a engenharia tenha o reconhecimento que lhe é devido. É chegada a hora de os engenheiros assumirem as suas atribuições com autonomia e com a autoridade técnica que o conhecimento lhe proporciona.